Arquivo da Categoria ‘Divagações’

Lembranças

Postado por Dirceu Veiga em Monday, September 8th, 2008

tantas lembranças minhas guardadas em lugares onde nunca fui.
sementes semeadas e frutas maduras, esperando colheita.

lembranças que passam sem serem vividas, se perdem.
mas não se perdem no esquecimento. pois o que não existe não se pode esquecer.
se perdem na fúnebre negligência de se não viver.

o medo é inimigo da lembrança. o medo neutraliza. o medo castra.
minhas melhores lembranças não estão no cotidiano.
estão nas primeiras vezes de tudo
na primeira vez da música repetida tocada em um lugar intocado.
resgatando melodia e sentido.

quero ser caçador de lembranças, pra me tornar um livro de histórias
caçador de novos sorrisos. gargalhadas. toque de mãos.

o novo me atrai. mas não só o novo. também o velho feito de forma nova.
só a morte é repetitiva. a vida se reinventa de coisas novas e velhas.
misturadas. conflitantes. agonizantes.

quero a posse das minhas lembranças. guardadas em outras terras.
terras que nunca pisei. terras que nunca vivi.
terras que ainda, mas só ainda…
não sonhei.

Dirceu Veiga

Trabalhando em qualquer lugar

Postado por Dirceu Veiga em Wednesday, August 6th, 2008

Quem trabalha com ilustração, design ou qualquer outra área ligada à criação, precisa frequentemente quebrar a rotina pra não engessar a criatividade. E como o problema pra que isso aconteça normalmente é a falta de tempo, é necessário procurar alternativas.

No meu caso, trabalhar em café é essa alternativa.

Se não posso parar a produção de um projeto para mudar a rotina, mudo de ambiente de trabalho. Qualquer lugar que tenha uma mesa, uma tomada e internet sem fio vira um mini estúdio.  E é impressionante como esse tipo de “mudança de ares”, afeta a qualidade e produtividade.

Trabalhando em Cafés

Twittando

Postado por Dirceu Veiga em Wednesday, August 6th, 2008

TwitterPor completa falta de tempo, raramente tenho usado redes sociais. Mas o Twitter é rápido e prático.

 Se quiser me seguir, clique aqui e seja bem-vindo. 

Arte

Postado por Dirceu Veiga em Wednesday, January 31st, 2007

Quando em bares encontram-se os filósofos. 
É a arte minha surda confidente.

Dirceu Veiga

Colagens

Postado por Dirceu Veiga em Tuesday, January 16th, 2007

colagens de emoções aceita como retrato 
retalho de emoções me aquecem no frio 
 
estou tendo um caso comigo mesmo.   
mesmo quando me traio, já não me importo.

Dirceu Veiga

Duras

Postado por Dirceu Veiga em Sunday, January 7th, 2007

o que se quer não se tem 
e o que se tem, se quer longe 
insatisfação é o nome que se dá a vida 
quando o vazio é achado e diz seu nome 
 
felizes os que são cegos de si mesmos 
que vivem a vida sem pudores 
que não dão nomes aos sentimentos 
pois se o fizessem, veriam tudo. 
 
hoje tenho duas vidas 
uma perfeita em planos 
outra tateando entre escombros 
dois de mim, mas nenhum por inteiro 
 
duas metades que não se harmonizam 
por que não se vive o que se escolhe? 
menti pra mim mesmo que tudo estava bom 
e tempo ria de mim enquanto passava 

Dirceu Veiga
  
 

Silêncio

Postado por Dirceu Veiga em Saturday, January 6th, 2007

verso, ao inverso de mim mesmo 
em verso converso sobre aquilo que não posso 
aquilo que anseio mas de mim foi rasgado 
tanto de mim, quanto de ti 
 
ferida cultivada em planta rara 
que evito olhar de tempos em tempos 
seu aroma me traz lembranças daquilo que não possuo 
jardim ornamentado com a falta 
 
pinçadas, lembranças de dias 
guardados na memória como quadros velhos 
nas paredes de um quarto fechado 
pinceladas inseguras, de quem já não sabe escolher cores 
 
do que a vale a vida sem aquilo que a faz valer 
o humano em mim perde o sabor 
a fruta vendida por madura hoje tem gosto de areia 
e a água cristalina, só me dá mais sede 
 
finjo que não amo, pra não me ter por fraco 
mas o silêncio me encara com firmes olhos 
diz mais de mim mesmo do que eu poderia contar 
em versos que de mim são retirados 
quando o que eu menos queria, era falar.

Dirceu Veiga

Ímpar

Postado por Dirceu Veiga em Friday, January 5th, 2007

escassos dias ímpares 
na arena das ilusões concebidos 
em pares planejados 
sem exceção 
 
contido o verbo no dia ímpar 
na multidão das partes, confessou ao silêncio: 
por vestimenta tenho a mim mesmo 
quando o tudo é vaidade 
 
doce tido como amargo 
sonho tido como medo 
medo tido como verdade 
verdade tida como assombro. 
 
se auxilio procurasse 
entre os pais das tuas muradas 
aceno te seria suprimento 
suas costas, velho amigo 
seus caminhos, inconfessos 
suas dores, diversão. 
 
escassos dias ímpares, 
quando os pares não saciam 
quando velho, se gosta novo 
e o retrocesso não responde. 

Dirceu Veiga